Em uma aula de teatro

São Paulo, 18 de maio de 2010
Biblioteca Monteiro Lobato
Projeto Teatro Vocacional
Com Silvanah Santos
Protocolo Nº 1
Por Suzana Nogueira

 

Um a um vai entrando no auditório.

Uns tímidos dizem boa noite quase entre os dentes,

Outros dão apenas um sorriso,

Alguns, de tão silenciosos, quase não são percebidos;

Há os mais atiradinhos falam muito e dão beijinhos,

Enquanto isso, o cheiro do café e das especiarias abarca cada um,

Em instantes tudo é devorado.

Ai, ai, vamos acordar gente, é hora de esquecer tudo e concentrar no trabalho.

Respiros, suspiros, alívios.

Cabeça erguida, limite do olhar, tônus muito tônus

Braços esticam, pernas se dobram, caminham, balançam, elaboram.

Um festival de ais e ufas ecoam no palco.

As gargalhadas também são válidas.

Uns acreditam ser tortura, outros acusam o sedentarismo, já boa parte acredita que a saúde é quem ganha.

Hora de soltar, saltar, cadenciar, se superar.

A dança começa,

No plano de baixo,

No plano do meio,

No plano de cima,

Tudo grande, enorme, preenchendo o ambiente,

Sintam o gesto, ele vem de dentro.

Parados, frente a frente, olho no olho, gesto no gesto,

Tranquilos, lentos, “como se o sol batesse no gelo”,

O encaixe é harmonioso.

Inspirem e expirem, o ar percorre o corpo, os sentidos.

Coreografados, dirigidos, entusiasmados,

Pausa, escolha das improvisações, busca do inesperado, novas configurações.

Crianças mudas brincantes,

Pessoas e um morto inquietante,

Fanáticos, perdidos, desconcertantes,

Fofocas, destruidoras, degradantes,

Ciganas, mendigos, farsantes,

Assim foi o último encontro, assim foi à viagem de seus navegantes.

  1. Bela narrativa; envolvente,emocionante;chega às vezes a ser lúdica a narrativa. Às vezes misteriosa,mas com cenário,cenas e protagonistas que são transformados em imagens na imaginação,tamanha a sutileza da narrativa.Demonstra behaviorismo quando se trata dos personagens e da função referencial quando a narrativa menciona cada movimento, cada gesto, cada momento.A narrativa é uma mistura de Machado de Assis com Guimarães Rosa,em algumas passagens dos múltiplos contos de cada um deles. O texto vai prendendo as nossas respirações.Dá a impressão que estamos também na platéia e idem no palco e idem do lado de fora observando tudo,como a autora o fez.Sinto- me como um espectador de tudo! Ao mesmo tempo um leitor que parece ser um espectador.
    Parabéns pelo belo texto Suzana.

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