Porque farinha não é mandioca importada eu digo Não!

Eu digo não a você que aplaude a isso de pé! Sério mesmo que você acha que convence com esse papo sobre sua “luta” ser para tirar Dilma, pois é contra a corrupção?! Não seja sarcástico, pare de escárnio. Sua única preocupação é com o fato de não receber sua parte no quinhão!

Eu digo não a você que nos coloca nessa ditadura branca, elitista, masculina em que nós mulheres somos apenas meras peças de enfeite. Eu digo não a você do alto da sua dificuldade em manter seu padrão de vida em que a porcaria de um carro, roupa importada e o restaurante “trend” do momento são a coisa mais importante da sua existência! Eu digo não a você por pensar em não votar pois é perda de tempo, nunca acompanha a votação de um projeto que vai afetar sua rotina diária, nunca cobra de TODOS os seus governantes. Pra quê né?! É só tirar a presidenta democraticamente eleita pela MAIORIA que tudo se resolve.

Eu digo não a você que acha agora o novo “desgoverno” vai fazer por você o que os “petralhas” não fizeram. Porque o problema do Brasil é restrito apenas ao partido que você não gosta e como toda criança birrenta, vai chorar, se jogar no chão e se debater até colocarem no poder quem você quer! Eu digo não a você! Que tem “diploma”, mas não lê um livro, não sabe interpretar uma vírgula e é vidrado no seu umbigo. Eu digo não a você que nunca passou fome ou só viaja pro nordeste pra ficar em resort, mas acha nordestino tudo burro.

Eu digo  não a você que se ajoelha pelos bancos das igrejas, mas fala mal da vida alheia, julga como um inquisidor, persegue, condena e nem sabe o que significa caridade e ainda possui a família número dois. Condena o aborto, mas não adota uma criança, não doa o seu tempo a nenhuma criança carente. Eu digo não a você que acha que se foi pego pela polícia e apanhou não é porque eles tem licença total pra exterminar na periferia. É porque “neguinho tava metido com coisa errada, porque EU (umbigo de novo) nunca tomei carcada”. Imagina, policias corruptos são lendas da “esquerdalha” vitimista!

Eu digo não a você que não entendeu o quanto aquele pato da FIESP e seu filé mignon podem ser traduzidos em: “finja que é amigo deles, eles gostam disso, são fáceis de enganar, basta deixá-los pensando que podem ser um de nós. Tolinhos!”Eu digo não a você… Qual a sensação de ser manipulado? Vou revelar uma coisa: já fui um de vocês. Lembro-me de minha infância, olhava para o falecido Covas e dizia: “ele é um ótimo político, preocupado com a nosso Estado, um velhinho do bem”. Mas eu era uma pirralha e não entendia nada da vida.

Até que cresci e continuei lutando para não ser a babá dos netos do político legal, professor universitário, mas que nunca moveu uma palha pra me ajudar em minha trajetória de vida, sequer educacional. Mas ele não tem obrigação né?! Nem moral, nem política… Mas lembrava-se de mim a cada ano eleitoral… Entendi que a escola da minha infância, com jardins e árvores por todos os lados, foi sendo cimentada, cercada por grades, escurecida. Feita para sentirmos enjoo, desconfortáveis, meus professores sobrecarregados e mal remunerados porque o Estado era voltado para o meu bem estar e segurança! Ah, e o que dizer das revistas em cólera e programas de TV com apresentadores bonzinhos que discursam ódio apenas contra essa gente bandida e desonesta que está aí?!

Eu encontrei a cura. Persisti na busca pelo conhecimento. Confronto cada ideia espúria que tentam me fazer engolir goela abaixo. Vejo além das nossas mazelas, busco além do que está sendo dito. Leio as entrelinhas. O momento agora é de luta. Porque o bacana não está comendo farinhada. Ele está neste exato instante num restaurante trend de Paris, gastando nosso dinheiro numa vida mansa e boa. E você continua aí, comendo farinha, arrotando e repetindo o que te fizeram engolir, soltando rojões e aplaudindo de pé. EU DIGO NÃO A VOCÊ!

E sinto informar, você não faz parte da galera. O ferro quente que dói em mim, também fere você. Sem mais.

“Porque a luta pela democracia não pode parar!” Dilma Rousseff

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Em reconstrução

“E se um dia hei de ser pó,cinza,nada
Que seja a minha noite uma alvorada
Que me saiba perder… pra me encontrar…”
Florbela Espanca
soneto Amar!

Há muitas coisas em reconstrução: a economia mundial, as relações políticas, amorosas, espirituais, a vida está em reconstrução como, também, está em reconstrução o amor, os sonhos, as vontades.
Com esta que vos escreve não é diferente. Estou a limpar minha casa interior, meu cantinho, meu jardim. O passado já não tem a mesma relevância. Amores, projetos, vivências têm a importância pelo tempo que passaram em minha vida.

Muita coisa mudou, e não foi à cor do meu cabelo, nem tampouco minha forma de vestir. O que mudou foi mais profundo, foi meu modo de pensar, de agir e até de refletir sobre as situações. Talvez quem me conheça continue a ver a menina presa em seu castelo de cristal. Tudo bem. Aprendi a lição de que posso mudar meu modo de enxergar, mas não o seu. Continuo a ser a delicada, chorona, atrapalhada, compenetrada, às vezes um tanto quanto explosiva e mandona. Só que agora não sou mais torturada pelos sentimentos. Ou pelo menos o esforço de fazer o “meu melhor” é mais gratificante.

Qualidades as pessoas que me cercam talvez saibam apontá-las melhor do que eu. Já os defeitos, ah, meus caros, estes são péssimos companheiros que arduamente busco melhorá-los, porque destruí-los, também, é eliminar parte de quem somos. Logo, só nos resta melhorar e redimir. Busco por um conhecimento maior, novos projetos, novas paixões, por novas experimentações, desejo fervorosamente agarrar e desbravar o mundo. É o que acontece quando sentimos a necessidade pungente de não sermos mais os mesmos, mas sim outros.

E esta “nova-velha-eu” leva-me cada vez mais para novos horizontes. Onde vou parar?
-Longe, muito longe… Mas vou deixar rastros, pedacinhos de pão pelo caminho.

O desespero de um escritor

escritor

Começar a escrever, de modo simples e contundente. Uma busca incansável por si mesmo e pelos abismos que circundam sua singularidade. É este o desafio, é este o artifício para quem busca explicações para tudo àquilo que sente.

Os pensamentos são sempre aleatórios. Atravessam-me noite e dia como navalhas cortantes, dilacerantes. Expor seus mais recônditos sofreres será a solução para seus dizeres? Continuar em frente já não é o bastante. Precisa achar uma solução, mas petrificada, não consegue se encontrar em mais nada. Dormir, dormir já não basta e a deixa ainda mais fatigada, frustrada, estabilizada. Apenas viver é tão cheio de regras, de ideias. Mesmo aqueles que pregam viver um passo de cada vez, acabam por circundar-se com suas teses de destinos e “simplicidades” tão difíceis, por vezes, de acompanhar. E viver passa a ser um pesadelo, do qual nem Lewis Carrol. conseguiria me libertar, porque não basta morder um pedaço de bolo e despertar. Quem dera fosse assim… E o relógio tique-taque… tique – taque.

Fonte da imagem aqui.

A ÚLTIMA CEIA NO DOMINGO DE PÁSCOA

por Deífico

UMA MENSAGEM PARA RENASCIMENTO

O coronel Anfilófio está prestes a completar noventa anos de existência. Dona Carmélia, sua esposa no último mês de janeiro comemorou oitenta e cinco anos. O coronel Anfilófio deu uma linda festa em uma das suas fazendas, para o evento convidou todos os amigos, parentes, filhos, netos e funcionários das fazendas para comemorar o aniversário da querida esposa, com quem já era casado há sessenta e dois anos.

Hoje é domingo de páscoa. Está um lindo dia. O sol brilha intensamente. As folhagens das árvores, estão sendo sacudidas pela suave brisa do outono, enquanto os cantos dos pássaros” maviam ” os nosso ouvidos. Nos pastos o gado pasta placidamente a relva verde e fresca, como se o domingo de páscoa não existisse. As águas do pequeno rio correm plenamente fazendo os pequenos barulhos sonoros regando as margens férteis.

O céu está azulado com pouquíssimas nuvens alvas que são carregadas pela brisa. Ao longe, as cadeias de serras e morros dão o toque final na linda paisagem bucólica, como se registrasse em digitais, este belo dia em que comemoramos a ressurreição de Cristo e, a nossa; E é com o pretexto de comemorar a sua última ceia que o coronel Anfilófio resolveu convidar alguns amigos da congregação católica e protestante,todos os parentes, bisnetos, netos, filhos, o pároco Joseph, padre da comunidade, o reverendo Abel pastor da igreja Presbiteriana local e os funcionários das fazendas, para a comemoração da sua última ceia de Páscoa.

As mesas sobrepostas em fileiras e juntas para darem o aspecto de uma única mesa estavam forradas de toalhas bordadas manualmente pelas alunas da escola de corte e costura da casa paroquial. Para cada convidado havia uma taça e um pequeno prato. Na taça de vinho para cada convidado, fora servido uma pequena dose de vinho e nos pratos uma pequena fatia de pão asmo.

As garrafas de vinho e os pães asmos vieram diretamente de Israel, encomendados pelo Coronel Anfilófio, que queria dar aos convidados a mesma sensação sentida pelos Judeus quando da comemoração da páscoa deles. Coronel Anfilófio é uma pessoa muita excêntrica e detalhista em matéria de realismo naquilo que está acostumado a fazer. Todos os convidados já tinham participado das suas cerimônias do domingo de Páscoa nas suas respectivas igrejas e, estão agora, a convite do coronel, preparados para a pequena ceia pascal na fazenda.

O pároco Joseph, convidado a fazer o exórdio, abre a sua bíblia de capa marrom, começa a ler Lucas 22: 19-23 e 34 – E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós, fazei em memória de mim.

Semelhantemente, depois de comer o pedaço de pão, tomou o cálice dizendo: Este é o cálice da nova aliança do meu sangue derramado em favor de vós. Todavia, a mão do traidor está comigo à mesa. Porque o filho do homem, na verdade, vai segundo o que está determinado mas ai daquele por intermédio de quem ele está sendo traído! Então começaram a indagar entre si quem seria, dentre eles, o que estava para fazer isto. – Mas Jesus lhe disse: afirmo-te Pedro, que, hoje, três vezes negará que me conheces, antes que o galo cante.

Após a leitura dos versículos da bíblia, o padre Joseph, convida todos os presentes sentados à mesa para repetirem com ele os gestos feitos por Cristo na última ceia, com relação ao pão e ao vinho. Em seguida começa a pregar a sua pequena mensagem.

A MENSAGEM DO PADRE JOSEPH

Prezados senhores e senhoras – Estamos aqui reunidos para celebrarmos esta ceia maravilhosa neste belo domingo de páscoa. As palavras chaves são: Traição e negação. Mas elas não serão discorridas pelo ponto de vista do texto de Lucas, mas pelo ponto de vista para as nossas vidas.

Diuturnamente nós convivemos em função destas duas palavras e nem percebemos o quanto! Quando nos utilizamos de todos os sentimentos mesquinhos, como a inveja, a ambição, a falsidade, a mentira, o desamor ao próximo, a corrupção, os subterfúgios na verdade estamos traindo todos os princípios éticos, morais e cristãos.

E quando nós nos negamos a vivermos vivenciando os preceitos éticos, morais e religiosos, simplesmente estamos vivendo sempre em traição e negação dentro de nós mesmos , e antes que o galo cante no amanhecer de cada dia e nasça o sol, e antes de assentarmos à nossa mesa para as refeições do dia, se não buscarmos o nossos renascimento, nos despindo de todos os sentimentos mesquinhos, como escrito pelo apóstolo Paulo em uma de suas epístolas, não deixaremos de ser traidores e negadores no decurso das nossas vidas.

– Portanto peço a todos vocês aqui presentes que reflitam em silêncio, no recôndito do seu aposento, para , a partir desta páscoa, buscar o renascimento das suas vidas se transformando em um novo ser despido de todos os sentimentos mesquinhos que levam à traição e à negação .Que a paz do Senhor Jesus Cristo esteja convosco nesta páscoa e em todos os momentos da vida. Amém.

Ao terminar a sua mensagem, o padre Joseph passa a palavra para o coronel Anfilófio, que fica de pé e começa a dar um testemunho. Os presentes que ouviram a mensagem do Padre em total silêncio e concentração agora se mostram surpresos e curiosos.

O TESTEMUNHO DO CORONEL ANFILÓFIO

Caros amigos e amigas. Vou dar um testemunho e depois, com base nele o pastor, Abel fará a mensagem final para todos e logo em seguida iremos nos deliciar do belo almoço preparado pela minha querida esposa.

– Todos vocês sabem, ou melhor alguns de vocês sabem que , no momento em que completei sessenta anos , fui acometido de uma doença gravíssima no meu coração. Os médicos só me deram mais ou menos dez dias de vida, caso eu não me submetesse a uma cirurgia que só teria dez por cento de chances de dar certo. Faltavam quarenta dias para o domingo de páscoa.

Perguntei ao Doutor Eliessim, que já não está no meio de nós, se daria para esperar até o domingo de páscoa, com fortes medicamentos, para que eu participasse da minha última ceia.

Diante da negativa do doutor Eliessim, e que entrei no meu quarto sozinho e , diante do altar que a minha querida esposa mantém dentro do quarto, conversei em oração diretamente com Deus, nem falei com Cristo nem com a nossa senhora Aparecida:

Falei já direto com o chefão e lhe pedi que guiasse os médicos na tarefa difícil que seria a cirurgia e que me permitisse viver pelo menos até o domingo de páscoa, e depois ele poderia me levar, no dia e na hora que bem entendesse. Eu só queria passar a última ceia e nada mais.

Afinal de contas, em partindo, não deixaria nada pendente para trás. Tudo já estava resolvido. Filhos criados, netos criados, a vida dos empregados resolvida, as questões de ajuda para as comunidades, católica e protestante, já estava também resolvida. Então, se tivesse que partir não haveria problema desde que fosse após a páscoa.

Finalmente chegou o dia da chamada operação. A cirurgia, segundo informações, durou cerca de doze horas. Só sei que neste meio tempo, eu sonhei que andava em um deserto E nesta andança vi uma árvore gigante pegando fogo e de dentro dela sair uma voz muito forte e nítida, me perguntando: – Você de fato quer celebrar a sua última ceia de páscoa? – Sim, respondi. – Vou estudar o seu caso com carinho e futuramente lhe enviarei a resposta, continuou a voz trovônica – Por – que não pode ser dada agora a resposta?

Questionei. Porque, continuou a voz, o tempo é o meu tempo e, resposta será dada no meu tempo e não no seu. O seu tempo é um mero empréstimo, duma fração mínima do meu E por ser o meu tempo e não o seu, quando houver uma resposta, será dada no meu tempo, embora eu mande no seu tempo, que foi dado por mim, mas prevalece o meu tempo! Depois disto o fogo da árvore foi apagando, apagando, até sumir de vez, e eu acabei fazendo o meu caminho de volta.

Quando acordei, já se tinha passado o período de treze horas entre a anestesia e a cirurgia, e eu já estava no quarto da UTI, recuperado. Exatamente neste ano em que completarei noventa anos de idade, também aquela cirurgia completa trinta anos e aquela ceia de páscoa também. Até hoje os médicos não conseguem explicar, como uma pessoa que teve uma enfermidade grave no coração, com sessenta anos de idade quando foi acometido pela grave enfermidade, possa sobreviver e sobreviver por trinta anos!

Seria milagre? Seria a resposta no tempo de Deus! Agora, com base neste meu testemunho, o meu amigo pastor, reverendo Abel, vai fazer a mensagem final. Todos vocês fiquem sabendo agora, que todas as nossas trinta ceias sempre foram pautadas por pelo Padre, pelo Pastor e por mim. E esta que poderá ser a minha última ceia, é uma ceia especial.

Todos ficaram boquiabertos diante do breve testemunho do coronel Anfilófio. Coronel Anfilófio tinha sido um grande magistrado, e, quando se aposentou a mais de trinta e cinco anos e passou a advogar em favor dos necessitados e laborar pela comunidade.
Saudando a todos ali presentes, o reverendo Abel começa a fazer a sua mensagem final.

A MENSAGEM FINAL DO REVERENDO ABEL

Caros amigos e amigas. Há trinta anos que o Coronel Anfilófio faz a sua última ceia de páscoa. Todos devem estar perguntando: Por – que sempre a última ceia, se estamos chegando à trigésima ceia! Respondo-lhes: Quando ele Fez a primeira a primeira ceia depois da cirurgia, ele achava que seria a última ceia. Algumas pessoas que participaram desta primeira ceia não puderam participar da segunda, porque partiram para o plano celestial.

Então, para elas, aquela foi a última ceia de páscoa. E também para todos os que foram partindo ao longo destes trinta anos, em algum momento participaram da sua última ceia e todos nós aqui presentes teremos a nossa última ceia também.

Só não sabemos o momento certo, porque o tempo, é o tempo de Deus e não o nosso tempo. Mas é certo que teremos. E na vida tudo é assim. Sempre teremos uma última chance, um último momento. Em razão disto, precisamos viver o presente como se fosse o último momento das nossas vidas e procurarmos renascer sempre. Sermos um novo ser. Como bem o disse o amigo padre Joseph.

Para nós nos despirmos do sentimento da traição e da negação. E podemos começar por esta ceia de páscoa, neste belo domingo de sol, buscando o novo nas nossas vidas, como se só houvesse uma única chance ou a última chance. Na verdade estamos vivendo sempre no último momento! Como estamos a mercê do tempo de Deus, é melhor não vacilarmos onde no amanhã poderá ser muito tarde! Pensem bem nisto caríssimos irmãos e irmãs. Que a Paz do Senhor Jesus Cristo esteja sempre convosco.

Juntos, todos fazem a oração do pai nosso, e só depois é que o almoço de páscoa, a grande ceia de páscoa começa a ser servida de fato.

FELIZ PÁSCOA PARA TODOS-FELIZ PÁSCOA PARA TODOS-FELIZ PÁSCOA PARA TODOS-FELIZ PÁSCOA PARA TODOS-FELIZ PÁSCOA PARA TODOS-FELIZ PÁSCOA PARA TODOS-FELIZ PÁSCOA PARA TODOS

Atravessando pontes

Foto do cartão lindo que ganhei de pessoas especiais

Foto do cartão lindo que ganhei de pessoas especiais

Há momentos na vida em que nos vemos diante de um abismo. Nele há uma ponte, de madeira com frágeis cordas, onde você possa apoiar as mãos durante a travessia. Venta muito, e o caminho parece extremamente perigoso. Mas a curiosidade de conhecer o novo, o diferente é inquietante.

E estar do lado em que se encontra já não representa o conforto de outrora. As perspectivas e a vontade de atravessar parecem maiores que qualquer medo, qualquer necessidade de segurança ou adaptação.

O vento que sopra do outro lado é o mesmo. Mas a esperança de que ao respirá-lo você sinta-se melhor, aliviada, é gigantesca. Nada será deixado para trás, apenas o modo como você sente e absorve as situações será transformado, amadurecido.

Que esta nova travessia não me traga certezas, pois o bom da vida, o que continua alimentando nossa curiosidade, vontade de aprender e conhecimento são as dúvidas que nos movem a questionar, a procurar e não aceitar a vida como algo ou situações definitivas e não mutáveis. Viver é neste momento, para mim, atravessar esta ponte. Então, lá vou eu…

Caos metrô – o retorno

Sei exatamente o que é andar nos trilhos do metrô de São Paulo. Era 2011 quando mais uma pane impediu que chegasse no horário para trabalhar. Não sei a situação de agora, mas na época, o metrô ficou parado por mais de 10 minutos sem dar uma explicação do que ocorria e ainda por cima desligaram o ar condicionado. Era quase 8h da manhã, mas fazia um calor insuportável. Pessoas começaram a passar mal, logo o que restou? Pontapés nas portas, janelas quebradas, pessoas desmaiadas. Lembro-me até hoje do tumulto e de ter pulado a janela do metrô, quebrada, para conseguir sair do vagão, devido ao acúmulo de pessoas que havia naquelas pequenas rampas. Pra minha sorte estava num ponto da linha vermelha em que não estava embaixo do túnel, porque senão a sensação de aflição seria ainda maior.

Andei nos trilhos. Vi pessoas, entre crianças e adultos mais assustadas e indignadas, do que enfurecidas. Depois o metrô passou a dizer que havia “a presença de usuário na linha”; “devido à pane em metrô à frente estamos parados” e um festival de informações perdidas e desencontradas. Mas tais informações vieram apenas depois do tumulto formado.

E o saldo? Bom, andei no trilho do metrô pra chegar à plataforma mais próxima, subi naquela escadinha que os metroviários usam pra pegar objeto na via, e só assim me dei conta do quanto a plataforma é alta e perigosa, peguei um ônibus pra chegar ao trampo quase 3h depois. E ainda tive que ouvir o absurdo de que uma blusa presa na porta foi a causadora da pane no sistema (pelo que pesquisei mesmo argumento falho utilizado agora, pane em uma das portas), mas a culpa pelo tumulto foi causada pelos “vândalos”. Leia- se “vândalos”= EU, VOCÊ e QUALQUER PESSOA que precisa utilizar o transporte público de São Paulo.

O governador? Não faz diferença. É sempre o mesmo excelentíssimo calhorda, do excelentíssimo partido eu mando em São Paulo há anos, que tenta desviar o foco da sua inapetência para uma população cansada e espezinhada diariamente. Aí você vai dizer: ah Suzana, por que a revolta, você está longe? Por quê? Eu respondo: devido a minha inveja. Sim, inveja. Inveja de países que possuem ciclovias e que são bem utilizadas, sinalizadas e respeitadas. Inveja de ver ônibus lotados em dia de chuva, leia- se lotados não entupidos, não pararem pra empilhar mais e mais passageiros, pois sabem que o próximo vem daqui a no máximo 20 minutos. Inveja de quem tem dinheiro pra pegar helicóptero. Inveja de ver que ações simples dão resultados, que dinheiro público deve e pode ser reinvestido para a melhoria da comunidade, da população, da NOSSA melhoria. Inveja, com um leve toque de frustração mesclado com revolta em nível master.

Parece receita de drinque? Mas é… É o que nós paulistanos, brasileiros, temos que engolir todos os dias. A questão aqui não é o fato da Copa do Mundo estar à caminho. A situação requer uma análise mais profunda que isso. Você que esteve na pane de ontem, 04/02/2014, pode perceber que seu relato não se diferencia em nada do meu de 2011. A única coisa que nos separa é o tempo. E quando isso irá mudar? Meus caros, se nem para um grande evento eles se coçaram, saibam, a tendência é só piorar…

Assista ao vídeo aqui.

Meu querido, meu peixe, meu amigo

    Aviso: se você não sabe o que é gostar de bicho não prossiga com a leitura. Para aqueles que irão me criticar, condenar, saibam que não ligo. Sou tomada de emoções, com sensibilidade aflorada. Comemoro chegadas, entristeço-me com partidas, seja qual classificação que queiram impor…
    Para muitos ele não passava de uma mera peça ornamental, objeto de decoração que se movia. Para mim, ele era um sentimento. Um presente que ganhei no dia dos namorados 2012, a contra gosto, e que aos poucos foi me conquistando, com seu jeito diferente de nadar. Sua nadadeira menor do que a outra e sua forma de nadar que parecia se alegrar quando o observava.

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Mas você irá dizer, pra que tanto alarde com um mero peixe, um beta, que é feito para nadar num aquário e só. E eu respondo: aquele peixe, que minha mãe batizou de neguinho, parecia ter alma. Sabia chamar atenção quando estava com fome, se assustava se batíamos algo perto de seu aquário.

Nadava rápido e alegremente quando queria se fazer notar. Nadava agitado toda vez que íamos tirá-lo de seu habitat para a limpeza semanal. Ficava aliviado ao retornar ao lar. Serelepe no calor, quietinho no frio. Um bicho, um sentimento, um amigo que hoje se vai.
Ah, neguinho, preferiu partir sem despedidas… Guardarei com carinho todas as nossas lembranças. Descanse em paz.

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